Ter paz
Estar contigo, meu amor,
leva-me à exatidão de não saber;
quando estou ao teu calor,
nada mais que me importa querer.
Só sei que quero teu cheiro,
brilho e olhar de santidade.
Leve e doce, teu rosto coreógrafa
defronte de meus medos de ser;
ensaia passos de encanto de nada
e passa a me guiar, a contigo ter.
Só sei que temos paz em junto;
gratuitamente sei te desenhar.
Caxias,
Junior Magrafil (04-10-2010).
Como antigamente
Contigo amo como antigamente.
Aviso quando vou;
olho, sorrio, quando chego
e ainda ganho um beijo.
Te compro chocolate,
levo ao cinema – e pipoca.
O chuveiro filma amor
em águas soberanas.
Fotografias brincam de contar
histórias e mais estórias;
e dedos e línguas sentem
que estão em casa – e estão.
Morro de saudades como quem
nunca viu o mar pela primeira vez;
a pele dengosa se entrega sempre,
ainda que de mãos envergonhadas.
Os olhos. Ah, os olhos!
Vibrantes cores consoantes
desaguando em palavras amantes
e desenhos coloridos.
Caxias,
Junior Magrafil (04-10-2010).
Sopro e língua
Minha preferida visão
corre sobre (e sob) teu ser
como fazem meus dedos,
languidamente, com teu corpo
– meus dedos, tua língua.
Aquela cabeleira que já tiveste,
meu bem, a tenho – és tua;
lembra a ti, e, agora, a mim;
nossos caminhos que se cruzam.
O ar que sussurra prazer,
amor e quaisquer paravras
– d'uns lábios substanciais;
permeadas de lembranças boas.
O mesmo ar que nos sufoca
quando da distância horrenda
a que se destina amar e amado ser
por olhos que se conhecem bem.
Sim, teus lábios (culpados!)
fabricantes do sopro maior,
sucumbem língua, corpo, ser, memória;
donos de tudo que me torna amor
– essa tua rosa rosada.
Caxias,
Junior Magrafil (30-09-2010).
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