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quarta-feira, 28 de agosto de 2013



Encontrei um eu em você

Quando te olho, sinto-me fogo,
ao segurar tuas mãos, sou leveza
e quando te vejo falar,
enxergo meu nome.

Doença! Uns diriam.
Esperança! Os amantes riram,
pois por inveja aqueles ladram
e por amor estes felicitam.

Mas confesso-te, meu bem,
de meu olhar o fogo vem
por te espelhar fatalmente.
Leve estou pela paz altiva
que de tua consciência brota.

Mais vale ser eu um louco ao teu lado
que um são infernal de razão jogado

num mundo sozinho ou cheio demais.

Teresina,

Junior Magrafil (28-08-2013)
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Escrevendo tintas

Seremos como Salvador e Frederico?
Seremos separados pela ganância,
individualidade, pela paz em si mesmo?

Seremos sepultados com amor no peito
e solidão na alma?
Seremos indignamente infelizes na vida,
fingindo sorrisos vermelhos,
com verdadeira sombra amarela?

Não podemos vir a ser sobra,
restos mortais baleados no peito
longe do que mais importa.

Não devemos nos resignar
de tal maneira fúnebre,
enquanto sabes, o mais alegre é permitir-se.

Teresina,

Junior Magrafil (27-08-2013)
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Paciência e Fúria

Como a terra,
posso ser paciente ao ser pisado,
até mesmo omisso,
aguentando peso e sobrepeso,
dor e lamúria alheias,
inveja e maledicências.
Mas, como a terra,
há momentos tristes,
de quando o chão se racha
de tanto acúmulo sobreposto,
em que a corda se rompe,
o grito brada como eco,
os olhos cegam-se
e as mãos perdem o domínio.
O touro valente bate as patas,
corre com todo o gás irritante
e bate certeiro no coração
de quem menos merece.
Quando a cegueira vai embora
o que fica são os restos,
que, por desígnio dos sentimentos,
tendem a se encaixarem novamente.
Embora, agora, o que a terra faz
é recolher-se em caverna,
remendar-se individualmente,
para cuidar do que devia ter resistido.
Desistir é a certeza racional, e torpe,
mas o signo sabe que a vontade
é mãe do amor, por isso continua sempre.

Teresina,

Junior Magrafil (27-08-2013)
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A casa do bicho tímido


Minha casa é das mais antigas:
inflexível, restrita, rude;
embora, ainda, torta, capaz
de raspar a casca agressiva
pelo bem dos pilares
que a mantém de pé.
Suas colunas são várias:
facetas do meu mestre,
humores, temores, seus gestos.
Minha casa abriga bichos:
um touro, uma raposa e algo mais.
A vaidade toma conta da força taurina,
a mesma que mitiga a modéstia
das plumas vermelhas da raposa,
mas o outro bicho,
a besta sem nome, sem rosto,
presa, louca para mostrar-se,
é tímida no grito.
Houve um tempo em que
as pilastras caíram e,
enquanto o touro e a raposa
sufocavam de medo,
o tímido soltou-se,
agarrando-se à última de pé,
levantando as outras,
rebocando a face da casa
com tudo que tinha antes,
limpo, novo.
A casa antiga ainda o era,
mas confiada na última
esperança que tinha
a última pilastra,
tudo se reergueu.


Teresina,

Junior Magrafil (25-07-2012).
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O negócio é pôr no gráfico


Claro que antes de pensarmos
em ser qualquer desumano
viemos livres, sem nada escrito
- restrição alguma de ser.

Antes mesmo de exprimirmos
a primeira má expressão,
falávamos puramente
apenas por meio de vaga doçura.

Mas a corrupção chega
como qualquer cheiro bom
e acalenta aos poucos
a consciência por sua razão.

Principia conceitos e,
quando já vemos,
é um eco de ações
que não deveríamos ter.

Sorrateira e fortemente
cada humano é impresso
com a moldura do não-ser,
que apodrece cada redor.

Mas cabe só aos sortudos,
os pornográficos revéis,
semear as minúcias que,
de fato, é o que nos faz existir.


Junior Magrafil,

Teresina (12-07-2013).
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Não ser um grande nada
é proposta cansada
de quem vive a superficiar
momentos regozijantes.

Teresina,

Junior Magrafil (09-07-2013)
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013



Deleite

Dalí, meu anjo fugaz,
delírio branco,
gosto límpido
em noites frias
e dias quentes.
Derrama-me cada dia
teu sabor completo,
embaça-me a razão,
desfruta-te do amor
de teu Lorca.

Teresina,

Junior Magrafil (21-08-2013)
 

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