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sexta-feira, 17 de julho de 2009


Lei A-R


Estou aqui, perdido em mim,
buscando entender o porquê.
Seu gosto é tão acre e tão doce;
teu rosto é perfeito-inexato.
Chego perto e já me vou,
quero te dar as mãos, mas permitir.
Tuas palavras são facas,
perfuram-me no bom e no mau,
unem teu sangue ao meu,
cortam meus pulsos, quando breve.
Mas, então, decido ir embora,
e na mesma hora, voltar.
Porque gravitamos por entre nós,
forçamos tão bela e perfeitamente
a lei da atração e repulsão;
uma seiva mor de tudo.
Tu me bates e eu te beijo,
eu te culpo e tu me indultas.
Somos arquétipo d’Coulomb:
desequilíbrio contrabalançado;
ir e recuar.
Somos donos um do outro,
euforicamente perto e longe,
catastroficamente amantes;
de nova em lua-cheia,
vemo-nos e vamos
como fosse
um adeus
sem sê-lo.


Caxias,
Junior Magrafil (19-05-2009)
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sexta-feira, 10 de julho de 2009


João e o pé-de-feijão


"Doce ou amargo,
triste ou engraçado,
faço meu pedido,
enterro uh feijão e logo nasce uh pé...
ele sobe, encontra uh gigante,
joga-me a galinha, a arpa, os ovos;
e desce...
eu não corto uh pé-de-feijão,
e depois desce uh gigante...
ele fica na terra, e nós subimos de novo...
ficamos para sempre na terra do gigante,
sobre as nuvens, escutando de longe
a música apaixonante da arpa..."


Caxias,
Junior Magrafil (indefinido)
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sábado, 4 de julho de 2009


No fim do mundo


Nesse fim de tarde escuro
Neblina que dói em meu peito
Fico todo sem jeito
No fim do mundo,
Distante de tua alma cara
De tudo o que me diz pra ir,
Pra ficar, e nunca mais partir
Desse teu peito ardente

E quanto menos eu quero
A semana perdura até o fim.
Quando estou ao teu lado
O relógio sorri de mim
E quando menos espero
À noite eu enlouqueço
O sono foge de mim,
Só penso em você, meu bem,
Até mesmo quando não penso

Nesse fim de noite escuro
Quando Morfeu me fez dormir,
Sonhei com nosso mundo;
Não, sério mesmo, me diz:
por que as pessoas legais
sempre moram longe?
Pra voltar, e nunca mais partir,
Pra esse teu peito ardente?
(pra esse teu peito ardente)
(pra esse teu peito ardente)

E quanto menos eu quero
A semana perdura até o fim.
Quando estou ao teu lado
O relógio sorri de mim
E quando menos espero
À noite eu enlouqueço
O sono foge de mim,
Só penso em você, meu bem,
Até mesmo quando não penso


Caxias,
Junior Magrafil (02-06-2009)
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Zé


Vi de longe Zé Dummont
Sentado num cimento alto,
Calçada que tomou pra si
Como casa, como abrigo sem abrigo.
Vi Zé Dummont
Comendo manga e desfiando a casca,
Molhando as mãos na mesma poça que pisava:
Parecia menino que não dava importância
Às regras da vida,
Da convivência humana
Ele ria sozinho, falava sozinho;
não sei, talvez pensasse com a natureza.
Dormia num colchão moribundo,
Usando roupas moribundas
Lambendo as mãos sujas de manga
– moribundas.
Mantendo o corpo arredio de limpeza
– e a mente.
Pedras eram móveis;
Latas, panelas nobres;
Cobertor, um rude aquecedor
Em dias de chuva intensa.
Sua natureza humana confundia-se
Com a realidade dos animais:
Os bois pastorando as cascas de manga
Comendo do que comia o Zé,
Bebendo do que bebia o Zé,
Andando por onde andava o Zé.


Junior Magrafil (14-01-2009)
 

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