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quarta-feira, 22 de julho de 2009


A flor e o Urubu-rei


Por que todos te amam, flor?
Você é tão recatada, tão pura, tão digna assim?
Você é bucólica!
É difícil entender por que os urubus te cercam,
num deleite de que como carniça fosse.
Não seria teu interior, então, o que eles vêem, flor?
Não seria teu passado sujo?
Tua beleza contrapõe as tuas dúvidas;
tua pureza renega o decorrido;
tua franqueza afirma as minhas dores.
Cheio eu de teu cheiro cruzado,
palavras não ditas,
olhares perplexos-paradoxos,
sou combalido apenas
a uma realidade tez em tuas pétalas;
sou o rei deles, pois toco teu aroma, flor.


Caxias,
Junior Magrafil (22-07-2009)
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cagando

Pode não ser minha especialidade prestar atenção, mas, sim, às vezes presto atenção àquilo que talvez não interesse imediatamente aos outros, isto é, aquilo que geralmente passa despercebido e em que se precisa refletir muito para que se consiga extrair um suco ajuizado ou ainda mais insano que a realidade, ou no fim, até prosaico. Digo isso porque um dia desses eu andava na calçada ao lado do Palácio de Karnak, em Teresina, e, mesmo acompanhado conversando com três amigos, escutei um mendigo dialogando com outros: “- Vou cagar lá dentro do palácio”. Naquele instante, então pensei: “- Que lindo! Ele vai cagar lá dentro”. Putz! Será que ele fez uma crítica construtiva ao Governo? Será que a dirigia a nós? Ou queria só cagar mesmo e eu que fui intrometido no seu diálogo? Ha-hA! Isso me fez pensar se sabemos criticar o Governo, e se sabemos, primeiramente, nos criticar. Nossa, fiquei com vontade de cagar lá também...rs! Mas vou antes ao meu banheiro.


Caxias,
Junior Magrafil (20-07-2009)
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sexta-feira, 17 de julho de 2009


O bem amado

Olhavam-se pelas veredas da dúvida naquela casa. Havia uma vizinhança obscura, onde duas mentes amadas se amavam e não saíam de seus postos amantes, eram loucas faces em forma de um ser somente que se designava amor. Também dois outros corpos brincavam desnudos, enrolados, de conjunção carnal idêntica, mas podre, no que o onisciente narrador menciona.
Foram dias insólitos passados em meio a tal vizinhança, esbarrando-se às vezes. Um período de teste de conhecimento. Nada melhor do que a convivência para se conhecer a verdade dos fatos, dos atos de cada um. Ela revela o bem e o mal, mas o bem amado também.
- Deixa ver como será.
E foi quando eles se sentiram inerentes, porque os dois lados do sentimento lutavam sem chegar jamais ao fim das batalhas. Vê-se, então, que se nenhum lado pende mais, é porque a lei do equilíbrio estabelece-se aí. Os dias passaram unidos, fazendo coisas inocentes e íntimas.
- Para nós todo o amor do mundo.
Mereciam, e dormiram juntos.
- Pra eles o outro lado.
As coisas vão além do que se vê, e ver quem se quer partir colide as alegrias passadas com as dores; toma o ser de euforia e de esperança.
“- Faz tanta falta o teu amor”, mesmo que se grave os instantes, ou que se olhe as fotografias, as cartas, as declarações de amor.


Caxias,
Junior Magrafil
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A praça

Ele ia pra lá, às vezes pra encontrar com uns amigos, andar ao redor dela, olhar faces alteras, sumir um pouco da agonia caseira, ou simplesmente pra fumar – mas nunca sozinho.
Naquela praça cansada e triste, mas soberba: palmeiras enormes decoradas com a brisa calma do quase deitar solar, bancos distribuídos, muito verde, muita flor, pedras ornamentativas e uma figura solitária e imponente no centro. Aquele local lhe causava uma nostalgia dos 8 anos, dos 10, dos 13 ou 14, até mesmo dos 17 ou 18 anos; da vida inteira. A nostalgia se repete nos semblantes de todos que por ali passam. Aquele homem-símbolo cantando poesia eternamente, berra o passado sobre nossas cabeças, evoca os deuses da memória.
- Explique a minha paz!
Primavera! Perfume ao vento. As rosas dele sangravam quando colocava as mãos sobre o peito. Quem nunca amou? Ninguém vaga pelas praças da vida sem cheirar uma rosa e levar ao menos uma pétala consigo para guardar numa página cândida de seu livro biográfico. Mais feliz será aquele que escutar o poeta cantar o amor na praça do reencontro.


Caxias,
Junior Magrafil
 

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