Se aqui nevasse
Noite calma e os sinos tocam:
Os senhores, as beatas, as crianças;
os tambores, serenatas, as guirlandas.
Tudo é belo.
Aqui em baixo, brilham as luzinhas do Natal,
lá em cima, estrelas incendeiam o coração,
mais que tudo, dão vontade à união.
Tudo é belo.
Cantam as crianças, os corais vermelhos:
espalham cantigas de paz e de verdade,
mais que tudo, abrem risos na cidade.
Tudo é belo.
Se aqui nevasse, um branco Natal seria,
mas é colorido, com a cor de cada um:
com cada abraço e alegria, se faz mais um.
Tudo é tão belo.
E as felicidades são trocadas, e os presentes;
Reina a fé, tomam café, e ceiam juntos;
em família, em amigos, em amores – juntos.
Tudo, então, é belo.
Caxias, 20-12-2007.
Junior Magrafil.
Vende-se
Quero entrar no teu vício;
participar intrinsecamente.
Arrependo-me como jamais havia feito,
de não ter escancarado a porta da minha casa,
de ter me calado quando oportuno,
e ter fechado meus ouvidos para teu grito.
Agora sei, agora sei que não posso te deixar assim.
Sabe, minha casa não é minha,
minha chave não é minha,
minha sala-de-estar, minha copa, minha varanda,
meu banheiro, meu closet, meus aposentos.
Nada é meu, nada é meu porque tudo é teu.
Minha morada é tua morada;
talvez agora percebo o quanto não posso te deixar ir;
ou então, vamos vender tudo e correr descalços
unidos por um novo recomeço.
Caxias, 27-12-2009.
Junior Magrafil
O que teríamos
Dou-te as flores que me circundam,
dou-te a paz, a harmonia, o equilíbrio
dum instante ou cousa de viver junto;
dou-te o que jamais ninguém teria,
dou-te, porque nem o sorrir seria tão;
nem o vento, nem um canto, tanto.
Como amar seria um não existir?
Como estar seria um nunca chegar porvir?
Como, e por que não crês?
Dei-te tanto do meu sangue,
dei-te mais que minh’alma,
dei-te e não soube o que era ganhar.
Se cresses simplesmente;
o certo é que teríamos sido,
ao invés de: perdemo-nos as vidas.
Caxias, 26-12-2009.
Junior Magrafil
Dou-te as flores que me circundam,
dou-te a paz, a harmonia, o equilíbrio
dum instante ou cousa de viver junto;
dou-te o que jamais ninguém teria,
dou-te, porque nem o sorrir seria tão;
nem o vento, nem um canto, tanto.
Como amar seria um não existir?
Como estar seria um nunca chegar porvir?
Como, e por que não crês?
Dei-te tanto do meu sangue,
dei-te mais que minh’alma,
dei-te e não soube o que era ganhar.
Se cresses simplesmente;
o certo é que teríamos sido,
ao invés de: perdemo-nos as vidas.
Caxias, 26-12-2009.
Junior Magrafil
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