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quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Imputação


Desculpa se fui fútil,
nada útil,
em minhas dores.
Desculpa se fiz rir,
fiz chorar,
com minhas vozes.

Me entenda, luz,
o que eu fiz
não foi verdade.
Me entenda, rei,
hei de dar-me
e ser saudade.

Desculpa se fui algoz,
nada mais,
com suas cores.
Desculpas não mais darei,
pois já sei:
sou mortal, não tenho nomes.


Caxias,
Junior Magrafil (22-08-2010).
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Olhar


Olhos finos
que vi de perto
sem tocar,
espreitando
o que resta.

Olhos doces
que me disseram:
seja meu,
sejamos
– meu fim.

Olhos mornos
que me esquentam
a vontade,
a lascívia,
o despertar.

Olhos ternos
que me bateram
o leito do
sentimento
– sim, meu.


Caxias,
Junior Magrafil (18-08-2010)
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 Final feliz


Adeus: uma vez só na vida;
chegamos perto,
ficamos longe.
Você lembra o que eu aprendi?
Sim, por isso eu te amei;
então, não mais;
então, jamais dor
porque tudo acabou feliz.
Você lembra de mim?
Acho que não,
mas sei que não precisa;
e foi por isso
que tudo não foi como todos
– diferente.
E foi por isso
que deu tão certo
– e tão errado.
E foi por isso
que, no fim,
não precisei do teu carisma
inexistente.
Amo-me:
aprendi contigo.


Caxias,
Junior Magrafil (17-08-2010).
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Sinal


Teu homem se veste do nada
correndo sem força p’ra tudo.
Ele não sabe ao certo
se suicida o desejo ou
se mata a meta que tinha
– não mais a tem.

Ele salva a insônia
e afoga indevidamente a ilusão.
Não mais sabe escrever poesia,
não mais sabe levantar do enterro,
não mais sabe
– só cai.

Dorme de tanto acordar;
acorda de tanto mosquito,
mosquito que dói e não teme.

Teu homem cansou de esperar;
resolveu duvidar da forca,
da lança, até do facão.
Ele ameaçou o divino fim e,
quando, enfim, relutou
não houve sinal senão
morrer de amor.


Caxias,
Junior Magrafil (03-08-2010).
 

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